Fábio San Juan

Portfolio em construção: ilustrações, caricaturas, quadrinhos

Passo-a-passo da elaboração de uma caricatura

Fazer uma caricatura a partir  de fotos não depende só da semelhança, ou seja, a “parecença” com uma determinada foto. Muitas vezes uma única foto não mostra o que é mais característico de uma pessoa, devido ao enquadramento do fotógrafo, à luz, ao ângulo, se a cabeça está mais, ou menos, inclinada, etc.

Costumo pedir no mínimo duas fotos para fazer uma “média” visual da fisionomia da pessoa. É menos complicado fazer a caricatura ao vivo; embora a pessoa “se mexa”, captar a expressão para fazer uma média de várias posições em um só desenho é mais rápido e prático, afinal estamos frente a frente com a pessoa. A foto, uma imagem estática, engana.

Outro fator que torna o trabalho mais complexo, no caso de encomendas à distância (fecho encomendas pelo site de caricaturas da minha empresa, a Caricaturas Fábio San Juan): a semelhança visual que acredito muitas vezes estar ok na primeira versão, não bate com a auto-imagem da pessoa caricaturada. É comum eu ouvir “meu nariz não é tão grande!”, ou ainda “como você pode ver na foto, meu olho não é tão puxado”, quando é flagrante na foto que o olho da moça é bem puxado sim. Neste caso, altero para ficar mais parecido com o que a pessoa quer, e não com o que eu vejo. Pouquíssimas vezes argumentei que era melhor a minha versão do que a pretensão do cliente.

Abaixo, mostro o meu processo de fazer caricaturas, no caso, uma caricatura de casal para ser impressa no convite de casamento:

1-O cliente envia as fotos, no mínimo duas.

Foto Noivos 1  Foto Noivos 2

2-O cliente envia as indicações de como quer o desenho. No caso, a cliente não sabia como queria, e deu liberdade para eu fazer uma proposta;

3-Faço um esboço da caricatura a lápis (normalmente B ou 2B), em papel sulfite ou vergé. Quanto à posição dos personagens, imaginei que uma dança dos noivos seria divertida, e foi o que fiz;

Caricatura a lapis

4-Em seguida, finalizo a caricatura com tinta nanquim, a pincel (n.os 0 e 4), em papel vegetal, fixado sobre o esboço a lápis, escaneio e envio para a cliente. Note que vários detalhes não aparecem na versão a nanquim, já que a caricatura será utilizada em convites, num tamanho pequeno, e esses detalhes desapareceriam na impressão;

Caricatura Noivos 1

5-A cliente não gostou tanto da “dança dos noivos”, por isso pediu que mudasse a posição dos braços, colocando-os para cima. Pediu também que mudasse a cara dela, já que, na opinião dela, não estava muito parecida. Mudei também alguns detalhes na cara do noivo;

Caricatura Noivos 2

6-Ainda não tinha chegado… A cliente pediu que os noivos estivessem numa “posição mais alegre”. Ela sugeriu colocar uma taça de champanhe na mão de cada um, numa postura mais festiva. Pediu também para que eu fizesse um penteado menos Amy Winehouse, ou seja, mais baixo;

Caricatura Noivos 3

7-Bom, estava quase! Ela ainda não estava contente com a caricatura dela. Foi quando percebi que ela queria o desenho mais realista, e não como caricatura. Resolvi então fazer um desenho realista dela, com um penteado com fios de cabelo menos aparentes (representados como uma “massa” só) e mais baixo. Ela também pediu para fazer o vestido mais justo. Feito tudo, dessa vez foi aprovado sem restrições.

Caricatura Noivos 4

A cliente ficou satisfeita, mas percebam o quanto é necessário ser flexível: se eu me ativesse ao princípio de “eu faço caricaturas, a caricatura é uma versão distorcida do rosto, e o que você quer não é isso, é um retrato”, certamente eu não teria muitos clientes ou então teria poucos.

Ainda assim, é possível fazer desenhos bonitos e divertidos, mesmo que nesse caso somente o noivo tenha ficado mais caricatural.

Se você estiver interessado em caricaturas, acesse o nosso site: http://www.caricaturasfabiosanjuan.com.br . Obrigado!

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Ilustração para “Admirável Mundo Novo”

Uma ilustração não solicitada por ninguém, a não ser por eu mesmo, para o livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. Foi publicada na edição n.o 4  da revista eletrônica Portaberta, que pode ser acessada aqui.

Abaixo, a ilustração sem edição. Ao lado, a versão final.

Uma discussão sobre utopias será feita no número 5 do Portaberta, motivada pela minha leitura de “Walden II”, para mim, uma resposta de B.F. Skinner, um dos pais do behaviorismo, à utopia (ou distopia, termo para ”utopia ao contrário”) de Huxley, que teria o condicionamento pavloviano-skinneriano como alicerce da sociedade.

Não percam! Em agosto.

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Trabalhando a caricatura

Para uma festa de quinze anos (clique aqui para acessar nosso blog de caricaturas), fiz três caricaturas diferentes da moça. Confiram abaixo as fotos e os três desenhos:

 

Versão mais distorcida e despretensiosa. Em minha opinião, ficou engraçada, mas não  lembrou a fisionomia da moça.

 

Mais realista. Pareceu-me muito mais velha do que é a moça realmente, depois que a vi na festa. Realmente não acertei, e aí está o risco de se fazer caricaturas através de fotos. É por isso que peço mais de uma foto para fazer, e às vezes nem assim se acerta. Paciência.

A caricatura escolhida pelo cliente. Um meio-termo: nem tão realista, nem tão distorcida.

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Ilustrações para “O Rei e o Lutador”

A pedido do Sesc Piracicaba, vários artistas, entre eles eu, Catarina Landim e Andrei Bressan, colunistas e ilustradores do projeto Portaberta, fizeram ilustrações para um projeto que pede às crianças que criem uma história a partir dos desenhos.

Resolvi bolar uma história que não fosse “fechada”, ou seja, a história seria aberta a muitas interpretações. Há uma seqüência de eventos, mas os detalhes ficam por conta das crianças, que podem colocar o texto no espaço que foi deixado na página. Abaixo, um esboço, no qual já defini quase todos os personagens: o rei (baseado na figura de D. Pedro II), o lutador de luta-livre e a princesa (baseada livremente nas figura de Alfonse Mucha).

Eis a ilustração com todos os personagens, que está na história:

As minhas ilustrações e as da Catarina estão publicadas no Blog Educar, em formato pdf.

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Operário Baralho-2

Mais tiras com o Polvo, o sindicalista chato.

Tira Operario Baralho 2-Fábio San Juan

Tira Operario Baralho 3-Fábio San Juan

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Homenagem a Ruy Perotti

Achei, arrumando minhas coisas, um desenho que o mestre Ruy Perotti fez para mim quando do término do curso que fiz com ele no Estúdio Magno Arte, em Piracicaba/SP, por volta de 1993.

Para quem não o conhece, Perotti foi quadrinhista e animador, diretor da Editora Abril na década de 1970 e proprietário da Linxfilm, estúdio de animação pioneiro no Brasil. Foi criador dos personagens Sugismundo, Satanésio, Gabola, Variguinho, entre outros.

No contato que tivemos, uma vez por semana, o sábado inteiro durante três meses, Perotti mostrou-se uma pessoa muito aberta e afável, transmitindo tudo o que pôde em seu excelente curso, que não se limitou às histórias em quadrinhos (como era a proposta), mas que abrangeu todo o mercado editorial, o qual ele ajudou a construir desde que ingressou na profissão na década de 1950.

Generoso e paciente, atendeu às perguntas dos “grudes”, eu e meu irmão, que ficamos como sarnas em cima dele, querendo arrancar tudo o que podíamos. Ele foi uma pessoa decisiva na minha decisão de ser um profissional, e até hoje me lembro do seu exemplo de garra e humildade, quando contou-nos um episódio que havia ocorrido no final da década de 1980.

Ele chegou na Editora Azul, que editava a revista Contigo, com um calhamaço de artes feitas a mão para serem fotografadas, como era a praxe do mercado na época. A secretária o olhou com desdém e disse: “cadê o disquete?” Lembro de Perotti dizer, meio contrafeito: “Senti que minha vida profissional desmoronava”. Embora soubesse que o computador estaria cada vez mais presente na profissão do artista, ele se dava conta, da pior forma, que precisava se atualizar, e rapidamente, aprendendo em pouquíssimo tempo a manejar programas gráficos e estações de trabalho, “jogando fora” uma série de procedimentos profissionais que havia adquirido em quase meio século.

Mas ele conseguiu. Aos 6o anos, aprendeu o que muito “jovem” de 50 hoje não quer nem saber, uma linguagem totalmente nova e estranha. Mas que teve que ser aprendida, para que ele sobrevivesse em meio à selva da profissão de artista no Brasil.

Quanto ao desenho, é mais uma prova da atenção e da generosidade dele: ele fez um desenho/caricatura de cada um dos alunos do curso (eram dez, se não me engano), de acordo com os cacoetes e piadas que cada um havia manifestado naqueles três meses, mas acompanhados do personagem Satanésio, uma das criações mais bacanas e populares. Eu tinha um personagem, o Português, que aproveitava o personagem das piadas populares, por isso o “inferno lusitano”.

Salve, seu Perotti, exemplo de vida e de profissional!

Homenagem de Fábio San Juan a Ruy Perotti

Obs: leiam mais sobre Perotti nos links:
Wikipedia
Matéria do Universo HQ por ocasião da morte de Perotti

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Casamento em Mato Grosso

No último dia 04 de abril, eu e os meus camaradas Rogério Klar e Amauri Ribeiro fomos à Rondonópolis, simpática cidade do estado do Mato Grosso, trabalhar com Caricaturas ao Vivo na festa de casamento do casal Renata e Rafael. Abaixo, vocês vêem o desenho, feito por mim, que foi impresso no papel timbrado em que fizemos as caricaturas:

Caricaturas Fábio San Juan-Renata e Rafael

Olhaí algumas fotos do evento. Em breve, mais fotos.

Caricaturas Fábio San Juan-1-Rondonópolis/MT

Os “Three Caballeros” em ação. 

Caricaturas Fábio San Juan-Rondonópolis/MT-2

Caricatura de casal by Klar.

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Operário Baralho

Tira Operário Baralho-vinheta-Fábio San Juan 

A tira Operário Baralho é publicada desde 2004 no Jornal de Piracicaba, uma vez por semana. A freqüência semanal não é comum para uma tira de quadrinhos: não ser diária gera uma série de problemas, mas também desafios.

Resolvi que, embora semanal, elas teriam um ritmo de tiras diárias. Por isso, Operário Baralho tem uma infinidade de personagens, com séries e “arcos” de histórias.

A tira começou a ser publicada em 2004, mas foi idealizada alguns anos antes. Começou pelo desenho dos dois faxineiros, dois bolões, que não tinham nome pois a proposta era que seriam mudos (e hoje ainda são) e ninguém nem saberia do nome deles. Confesso que a proposta era quase a mesma dos Palhaços Mudos, do Laerte, que eram clowns narigudos mudos. Mas com o tempo eles se viram cercados de outros personagens que lhes deram um contraponto mais interessante e que às vezes deixa-os quase de lado.

Os dois faxineiros seriam clowns narigudos gordos mudos, que seriam um contraponto humorístico numa metalúrgica que caminhava aos trancos e barrancos. O primeiro obstáculo a ser enfrentado por eles era o sindicalista chato, que aparece na primeira tira que bolei:

Tira Operário Baralho-1-Fábio San Juan

Pretendo, aos poucos, ir postando o que considero as melhores tiras dos Operários. São personagens pelos quais tenho muito carinho, pois são baseados em várias pessoas que conheci quando trabalhei em uma empresa do ramo metalúrgico.

Faço questão também de mostrar o quanto todos são ridículos, tanto os patrões, parados no tempo e um sistema econômico que lembra o capitalismo só de longe, quanto os operários, acomodados em sua ignorância, vítimas dos sindicatos, da pinga, do baralho e do sexo fácil, e principalmente da lei do menor esforço.

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A Cigarra e a Formiga

Essa é uma ilustração que fiz para o Blog Educar, com uma recriação também minha da fábula de La Fontaine.

A Cigarra e a Formiga-final-Fábio San Juan

Foi um processo demorado, pois experimentei experimentar as técnicas da tinta acrílica e do giz pastel, sozinhas ou combinadas. Eis a primeira, só em pastel, que resolvi abandonar no meio; fica evidente o problema do desenho, que não estava bem resolvido. Também não houve um planejamento das fases da pintura, então acabei chapando tudo com o mesmo tratamento, a mesma textura, sem diferenciação de planos ou superfícies. Quando me toquei, tentanto destruir a textura do vergé embaixo da área em verde, era tarde.

A Cigarra e a Formiga-2-Fábio San Juan

Esta, uma versão com fundo em acrílica e detalhes em pastel. Resolvi aproximar o enquadramento. Achei que ficou muito estático, faltou mais movimento para a cigarra; a folha em cima também fechou a composição, de forma ruim:

A Cigarra e a Formiga-3-Fábio San Juan

Abaixo o esboço da versão final, que está lá no começo do post. Resolvi fazer só em acrílica, imitando aquarelas e ilustrações antigas. Fiz um fundo com sépia, a base de todas as áreas com cores, para me aproximar de um tom de fotografia antiga. Confesso que fiquei apaixonado pela rosácea da boca do alaúde, mas outras coisas, como o braço do alaúde, que acabei chegando próximo de padrões de corpos de insetos, bem como a transparência das asas da cigarra e a luz da formiga, precisariam ser melhor exploradas em outros desenhos da série. Penso em fazer mais ilustrações, talvez mais presas à narrativa da recriação que fiz para o Blog Educar, e aí então eu possa explorar melhor os efeitos que a tinta acrílica proporciona.

A Cigarra e a Formiga-lápis-Fábio San Juan

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Caricatura Rubinho e Patricia

Esta é uma caricatura de um casal feita sob encomenda.

Caricaturas Fábio San Juan-Rubens e Patricia

Foi executada com nanquim preto sobre papel vergé.

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